Lula conversa sobre crise financeira em encontro com Bento XVI
O papa Bento XVI manifestou preocupação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a crise financeira internacional. Em audiência fechada de 24 minutos na biblioteca do Vaticano, no final da manhã de quinta-feira (13), Joseph Ratzinger disse que a crise é "grave", segundo relato do presidente a jornalistas. "Pedi ao Papa que nos seus pronunciamentos fale da crise econômica, pois, se todo o domingo ele der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema", afirmou.
Lula gastou mais tempo para percorrer salões e corredores do Palácio Apostólico e cumprir o protocolo do que na conversa com o Papa. De acordo com o relato do presidente, foi possível falar da preocupação que a crise deixe ainda mais pobre as camadas de baixa renda, reclamar da rigidez do controle de imigrantes latinos-americanos e africanos na Europa, do combate à fome e de programas do governo, como Luz para Todos e Bolsa Família, além do acordo assinado que ratifica garantias para a atuação de religiosos no Brasil.
O presidente chegou à Sala do Trono, um espaço próximo à biblioteca e decorada com dois quadros do pintor Rafael Sanzio, na companhia da primeira-dama Marisa Letícia e dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Nelson Jobim (Defesa). "Muito obrigado", foi logo dizendo Lula quando viu o Papa chegar à Sala "Muito obrigado o senhor, por fechar o acordo com a Santa Sé", respondeu Ratzinger, em italiano, referindo-se ao acordo que ratifica, por exemplo, o direito individual do ensino religioso nas escolas, como está na Constituição. Somente o Papa, Lula e dois tradutores entraram em seguida na biblioteca, às 11h05 (8h05, horário de Brasília).
Mais tarde, Lula comentou que o governo brasileiro sempre trabalhou para ter uma boa relação com os papas. "Eu disse uma vez, logo depois que ele esteve no Brasil, que a imagem que eu tinha dele era a que passava na TV: um homem sisudo e de poucos amigos. A verdade é que ele é um homem afável e fiquei surpreso por ele ser bem informado sobre o Brasil", disse.