Dólar ultrapassa R$ 2,00 com aumento da aversão a risco
São Paulo - O aumento da aversão ao risco nos mercados levou o dólar no mercado à vista (comercial) a superar os R$ 2,00 pela primeira vez desde 29 de agosto de 2007 e a fechar no balcão na maior cotação desde 21 de agosto do ano passado, quando encerrou a R$ 2,034, segundo levantamento do AE Taxas. O comercial com ganho de 5,37%, a R$ 2,021, e na BM&F, com alta de 5,48%, a R$ 2,03. Um forte movimento especulativo de compra de dólar amparou as cotações à vista e no mercado futuro da BM&F diante do temor de uma recessão profunda nos EUA, da expectativa pelos dados do mercado de trabalho norte-americano (payroll) de setembro amanhã e das incertezas sobre a aprovação pela Câmara até amanhã do pacote revisado de socorro ao setor financeiro norte-americano, votado na quarta-feira à noite pelo Senado.
"A aposta no avanço do dólar à vista no curto prazo está refletindo muito mais um movimento especulativo motivado pela deterioração do ambiente financeiro externo do que pelos fundamentos da economia brasileira", afirmou o economista e professor de Finanças da FIA, José Carlos Luxo. Para ele, as condições econômicas no Brasil são favoráveis, apesar da previsão de desaceleração do crescimento do País por causa da crise externa, e as reservas internacionais brasileiras seguem fortes, acima de US$ 200 bilhões (na quarta-feira somavam US$ 206,886 Bilhões). Apesar disso, afirmou, há certa preocupação dos investidores com eventual aumento do déficit em conta corrente brasileiro, por causa do empoçamento da liquidez nos Estados Unidos que justifica as antecipações de remessas de lucros e dividendos por empresas ao exterior. "O fluxo cambial segue tendendo ao negativo por causa da necessidade dos estrangeiros posicionados aqui de cobrir posições lá fora."
A valorização externa da moeda norte-americana em relação ao euro em meio a comentários de que o BCE estaria alinhavando um pacote de ajuda ao setor financeiro europeu motivou ainda ajustes de posições no mercado à vista. A manutenção do juro pelo BCE hoje em 4,25% e as declarações do presidente da instituição, Jean Claude Trichet, sinalizando preocupação com as condições econômicas na zona do euro e de que vê retração nos riscos à inflação pesaram negativamente sobre o euro. ÀS 16h57, o euro acentuava a queda, em baixa de 1,29%, a US$ 1,3797.
O recuo forte das bolsas norte-americanas e da Bovespa contribuiu ainda para pressionar as cotações do pronto, disse um operador. "O mercado cambial está bastante especulativo, com um fluxo cambial espalhado", observou a fonte.