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17.09.2008 imprimir Imprimir
 

Conhecimento mal aproveitado

Um estudo do Banco Mundial sobre a geração de conhecimento no mundo revela que o Brasil tem muito a andar nessa área estratégica para o desenvolvimento social e econômico. Na comparação com outros países, o Brasil está ficando para trás quando se trata de produzir conhecimento novo e transformá-lo em resultados práticos. De acordo com o documento, os brasileiros são responsáveis por 2% dos artigos científicos publicados por veículos especializados no mundo, uma performance considerada aceitável. Mas o resultado desse esforço científico não é condizente com o número de patentes internacionais. Os pesquisadores brasileiros registram apenas 0,18% dessas patentes. O estudo debita essa situação a fatores como ensino básico precário, que resulta em profissionais pouco qualificados e em universidades distantes do setor produtivo, e à carência de investimentos em pesquisa e desenvolvimento especialmente por parte do setor privado.

O documento, além de um retrato pouco favorável para um país que necessita desenvolver-se, é um alerta em relação a nossas desatenções e improvisações. Os exemplos positivos citados no estudo – como os da Embraer e da Petrobras – são exceção, e não a regra, infelizmente. Outros países de desenvolvimento semelhante ao do Brasil avançaram mais que o nosso nessa área estrategicamente fundamental. Segundo Alberto Rodriguez, um dos autores do estudo, China, Índia e Coréia do Sul, por exemplo, estão se transformando em produtores de conhecimento graças a investimentos na formação de pesquisadores em áreas tecnológicas, numa decisão cujo efeito é alavancar a economia. Enquanto isso, nosso país dispersa esforços, em vez de concentrá-los. O estudo mostra, neste sentido, que apenas 19% dos estudantes brasileiros do Ensino Superior estão em áreas de ciências e de engenharia. No Chile, são 33% e, na China, 53%.

Os dados do documento do Banco Mundial acionam, por isso, uma espécie de sinal amarelo. Governo e sociedade precisam investir também em centros universitários de excelência, capazes de comandar a produção de novos conhecimentos.

 
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