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10.09.2008 imprimir Imprimir
 

Brasil deve dobrar consumo de etanol

São Paulo - O consumo brasileiro de gasolina deve cair 40% até 2015, com o avanço dos carros flex e expansão do mercado interno de etanol, que deverá mais que dobrar de tamanho no período e chegar a 32,1 bilhões de litros. É o que aponta um estudo da RC Consultores sobre o mercado de biocombustíveis no Brasil. Em dois anos, o etanol vai ultrapassar a gasolina na bomba.

"Indiscutivelmente, o grande mercado para o etanol brasileiro nos próximos anos é doméstico", afirma o economista Fábio Silveira, diretor da RC Consultores. Segundo ele, o consumo de gasolina cairá de 18 bilhões de litros no ano passado para 11 bilhões de litros em 2015.

Um dos motivos é a expansão da frota de veículos flex: hoje em torno 3 milhões de carros, será de 18 milhões de veículos no período e vai ultrapassar a frota a gasolina, estimada em 15 milhões de carros em 2015. "Hoje, 90% dos carros fabricados no País são flex, e as montadoras não planejam lançamentos sem considerar a tecnologia bicombustível", diz Silveira.

Na prática, o álcool já avança sobre a gasolina. No primeiro semestre, a soma do consumo de álcool hidratado (o combustível) e do álcool anidro (misturado à proporção de 25% na gasolina) foi de 9,037 bilhões de litros, enquanto o de gasolina A (sem a mistura) foi de 9,038 bilhões de litros, segundo a Agência Nacional do Petróleo. Em fevereiro, a demanda por álcool chegou a ser maior que a da gasolina.

"A tendência é progressiva. O consumo de etanol cresce em todas as regiões do País", aponta Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). "Um exemplo é o Nordeste. Em 2003, para cada litro de gasolina, era vendido 0,08 litro de álcool. Hoje, é 0,30 litro de álcool para cada litro de gasolina", aponta. Na média brasileira, a proporção é 2 litros de gasolina vendidos para cada litro de etanol. "O álcool tende a se tornar mais competitivo do que é hoje, quando superarmos alguns gargalos de logística e tributação."

Segundo ele, a implementação de grandes projetos ferroviários e alcooldutos devem amenizar os custos logísticos no médio prazo. Por outro lado, Rodrigues vê como alta a alíquota de ICMS de 25% que incide sobre o etanol na média dos Estados brasileiros. Em São Paulo, essa alíquota é de 12%. "De qualquer forma, a tendência de avanço do etanol sobre a gasolina no Brasil é inegável e não tem volta", diz.

Outro estudo, divulgado esta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a demanda interna pelo etanol deve saltar de 16,47 bilhões de litros no ano passado para 24,78 bilhões de litros em 2011, um incremento de 50,46%. De acordo com a pesquisa, as exportações também terão crescimento. Até o final de 2008 serão enviados a outros países 4,17 bilhões de litros, ou 18,21% a mais que os 3,53 bilhões de litros de 2007. Já em 2011 as exportações devem chegar a 6,10 bilhões de litros, um aumento de 72,85% sobre o resultado de 2007.

"Após quatro safras positivas, a frota de veículos em circulação no País movidos exclusivamente a gasolina cairá de 45% para 8%", afirma Ângelo Bressan, coordenador da pesquisa, apresentada na última quinta-feira na Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro), em Sertãozinho (SP), município que é um dos grandes produtores de etanol de São Paulo.

Economia na bomba é o principal motivo que leva a estudante de Direito Fernanda Garcia Oliveira a optar pelo etanol. "Comprei um carro flex justamente para abastecer com álcool. Nunca gasto mais que R$ 170 por mês com combustível", diz. Ela usa o carro para trabalho e lazer, e não se lembra de tê-lo abastecido com gasolina.

Dona de um carro flex há dois anos, a radialista Catarina Perez Alves também só usa etanol. Os motivos são "econômicos, políticos e ecológicos", diz. "É um combustível 100% nacional, que polui menos e é mais barato. Resolve todas as minhas necessidades", diz.

 
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