Brasília - Arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) trabalharam dentro da sede da Polícia Federal e realizaram uma série de escutas telefônicas clandestinas, sem autorização judicial para ajudar o delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, que investigou uma suposta rede de corrupção envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, informou a revista IstoÉ desta semana. Os arapongas teriam gravado conversas de 18 senadores, 26 deputados e dois integrantes do alto escalão do governo - Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Presidente Lula, e Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil.
A IstoÉ revela que, em conversas com amigos, Ambrósio teria dito que "o Protógenes tem em mãos um arsenal que destrói o governo passado, o atual e o próximo". A própria revista admite não saber o que, na frase, "é fato, bravata ou ameaça".
A reportagem também informa que Lorenz encontrou um agente da Abin chamado Márcio Seltz nas dependências da PF e perguntou o que ele fazia ali. A resposta teria sido: "Trabalho para o Protógenes."
Depois da conversa, Protógenes seguiu comandando a operação, não mais na sede da PF, mas a partir de um conjunto de salas comerciais no Setor Sudoeste, um bairro de Brasília.
De acordo com a revista, Lacerda, teria dito, em conversas reservadas com amigos, que o ministro da Justiça, Tarso Genro, nomeou Corrêa para chefiar a PF com o objetivo de brecar as investigações da Satiagraha, que poderiam atingir algumas alas do PT.
Em campanha pelo PT no ABCD paulista e ainda desconhecendo a reportagem, o ministro Tarso Genro disse que a apuração do grampo contra o presidente do STF "simboliza que o Brasil vive um momento virtuoso da democracia". Ele afirmou que a Abin "talvez ainda aja com resquícios de algumas práticas que remetem à ditadura militar". Ele garantiu que o governo "não teve nenhuma preocupação maior em função da Abin".