Rússia suspende cooperação com a Otan e analisa venda de armas à Síria
Bruxelas e Moscou - A Rússia informou oficialmente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que suspendeu sua cooperação com a aliança militar, disse a porta-voz da Otan. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse nta quinta-feira que a Rússia não pretende "bater a porta" na cara da Otan, mas a aliança precisa escolher entre a parceria com a Rússia ou o apoio à Geórgia.
"Tudo depende das prioridades da Otan," disse ontem Lavrov, no balneário russo de Sochi, no Mar Negro. Lavrov também disse ontem que a Rússia considerará uma possível venda de armas à Síria. A venda de armas russas à Síria provocou no passado tensões com Israel e os Estados Unidos. Há alguns anos, a Rússia vendeu armas à Síria, inclusive um moderno sistema de defesa antiaérea. Lavrov disse que Moscou considerará a venda de novas armas à Síria, mas não especificou quais. Ele fez a declaração após um encontro entre o presidente da Síria, Bashar al-Assad, e o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, no balneário de Sochi.
Segundo a agência russa Itar-Tass, Lavrov disse que a Rússia está pronta a vender armas à Síria que "tenham uma característica defensiva e que não interfiram no caráter estratégico da região (Oriente Médio)."
A Otan confirmou mais cedo a suspensão da cooperação.
"Nós recebemos a notificação dos russos por canais militares e eles dizem que decidiram suspender a cooperação militar entre a Rússia e os países da Otan, até segunda ordem," disse a porta-voz da Otan, Carmen Romero, a partir do quartel-general da aliança em Bruxelas.
Os Estados Unidos definiram como "desafortunado" o fato da Rússia suspender a cooperação militar com a Otan.
A porta-voz da Otan lembrou a declaração do secretário-geral da Otan, o general Jaap de hoop Scheffer. Ele disse na terça-feira, após a reunião da Otan, que a organização não poderia ter uma relação normal com a Rússia, enquanto Moscou mantivesse tropas na Geórgia.
A marinha da Rússia já havia anunciado o cancelamento na participação de uma manobra naval conjunta planejada para ocorrer no Mar Báltico, como parte da sua parceria com a Otan.
No dia 8 de agosto, a Geórgia lançou uma ofensiva militar contra a província separatista da Ossétia do Sul, pró-russa. A operação da Geórgia foi um fracasso e no dia seguinte a Rússia deslanchou um contra-ataque que desmantelou o Exército da Geórgia e invadiu o país vizinho. As tropas russas só pararam a quarenta quilômetros da capital da Geórgia, Tbilisi, após o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ter conseguido um acordo de cessar-fogo entre os países.
"Se a prioridade da Otan for apoiar o regime falido de Saakashvili, às expensas de uma parceria com a Rússia, nós não deveremos ser culpados por isso," disse Lavrov, referindo-se ao presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. "Nós não pretendemos bater a porta" na cara da Otan, disse Lavrov. |