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23.08.2008 imprimir Imprimir
 

Contratação de parentes é prática comum entre os senadores

Brasília - O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), levantará os nomes de parentes de senadores e servidores que terão de ser demitidos em atendimento à súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo nos três Poderes. Uma primeira avaliação aponta 10 senadores patrocinando a contratação de familiares na Casa.

Garibaldi se prontificou a dar o exemplo do que deve ser feito em respeito ao Supremo, ao anunciar na quinta-feira (21) que vai exonerar seu sobrinho, Carlos Eduardo Alves. Carlinhos, como é conhecido, exerce no gabinete a função de assessor técnico. Já outros parentes, na maior parte das vezes, não são conhecidos e nem freqüentam o Senado, o que estimula a suspeita de que são "fantasmas". Ou seja: eles se limitam a receber o dinheiro público sem trabalhar.



O caso mais notório de nepotismo no Senado é o do primeiro-secretário Efraim de Morais (PB-DEM), "padrinho" na contratação de seis sobrinhos. Efraim disse que vai demiti-los. Outro que terá que fazer uma reforma no quadro de funcionários é o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que emprega o filho, Leomar Júnior.Por ora, todos os senadores "patrões" de parentes prometem seguir a súmula do STF.

O senador Neuto de Conto (PMDB-SC) afirma que já demitiu dois de seus irmãos, Nilson e Júlio César de Conto, que ele contratara logo que assumiu a vaga de suplente. Também o senador Mão Santa (PMDB-PI) teve de dispensar a mulher Adalgisa, desde que ela se candidatou a prefeita de Parnaíba.

O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que seu cunhado Pedro Rocha, do Ministério da Agricultura, está lotado em seu gabinete. "Mas se a lei mandar, ele vai sair", informou. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) contrata um sobrinho-neto. Já o senador Adelmir Santana (DEM-DF) tem a filha, Cíntia, como auxiliar direta. Ele afirma que a filha "trabalha mesmo" e que fará muita falta, mas que não tem como se opor ao STF. "O que está ocorrendo é que o STF legisla e o Legislativo leva pancada", afirmou Santana.

No gabinete do senador César Borges (PR-BA) trabalha sua prima, Diva Borges. O senador Augusto Botelho (PT-RR) contratou o irmão. O senador Almeida Lima (PMDB-SE) contratou dois sobrinhos e uma prima. A informação oficial é que eles trabalham para o senador em Sergipe. O mapeamento determinado por Garibaldi vai, ainda, mostrar verdadeiros clãs de parentes de servidores contratados em cargos comissionados do Senado.

 
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