Irã envia mensagem à União Européia
Teerã - O Irã enviou ontem uma mensagem por escrito à União Européia (UE) em um momento no qual depara-se com um novo ultimato feito pelas principais potências atômicas do planeta para que aceite um pacote de incentivos para suspender suas atividades nucleares ou fique sujeito a novas sanções no âmbito do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Teerã insiste que a mensagem enviada ontem ao chefe de política externa da UE, Javier Solana, não é uma resposta à mais recente oferta feita pelo grupo de países composto por Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia para pôr fim ao persistente impasse em torno do programa nuclear iraniano.
"A mensagem entregue ontem não é a resposta do Irã aos seis países", assegurou uma fonte no Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã.
Ao mesmo tempo em que as potências nucleares divulgavam um novo ultimato, na segunda-feira, o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, general Mohammad Ali Jafari, advertia que a república islâmica poderia bloquear o Estreito de Ormuz, uma importante rota de navegação na fronteira do Irã com o Iraque pela qual passam 40% das exportações mundiais de petróleo
A Grã-Bretanha advertiu que a ausência de uma resposta positiva por parte do Irã até esta terça-feira deixaria o grupo de países "sem escolha" a não ser buscar novas sanções no CS da ONU.
Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades estritamente pacíficas, como a geração de energia elétrica, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.
Em seus relatórios, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) têm informado não haver sinais de um programa nuclear com fins militares e os serviços secretos dos EUA divulgaram relatório há alguns meses afirmando ter evidências de que um programa nuclear militar mantido pelo Irã teria sido encerrado em 2003.
Ainda assim, EUA e Israel não descartam a possibilidade de bombardear o Irã caso o país não desista do enriquecimento de urânio, um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. |