Obama defende solução política no Iraque e guerra afegã contra terror
AMÃ, Jordânia - O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que a segurança melhorou no Iraque e que os Estados Unidos precisam voltar a atenção, de maneira urgente, ao Afeganistão.
"Houve progresso na segurança, mas agora precisamos de uma solução política," no Iraque, disse Obama em coletiva de imprensa na capital da Jordânia. Segundo o candidato democrata, o Afeganistão é agora "o fronte central da guerra contra o terror."
"A situação no Afeganistão é urgente e perigosa," ele disse. "Nós precisamos agir para reverter uma situação que deteriorou-se."
Obama reiterou seu objetivo de retirar as tropas americanas do Iraque em 16 meses após assumir a presidência, se eleito. Mas ele disse que consultará os comandantes militares sobre quantos soldados deverão ficar no Iraque para proteger operações humanitárias e os serviços diplomáticos americanos, para treinar as forças iraquianas e conduzir operações antiterrorismo de menor escala contra a rede Al-Qaeda.
"Meu objetivo é não ter mais tropas americanas engajadas em operações de combate no Iraque," disse o senador por Illinois.
Obama e seus dois companheiros senadores de viagem, o democrata Jack Reed de Rhode Island e o republicano Chuck Hagel de Nebraska, enfatizaram ontem em Amã a necessidade dos EUA voltarem suas forças para o Afeganistão, e ajudar o Paquistão a confrontar a crescente atividade terrorista de grupos fundamentalistas nas suas fronteiras.
Obama reconheceu que o comandante das forças americanas no Iraque, o general David Petraeus, não quer uma data para a retirada das forças americanas de combate do país.
"Ele quer ter o máximo de flexibilidade que for possível," disse Obama. O candidato democrata também disse que precisa levar em conta o ponto de vista do governo iraquiano, as necessidades de segurança do Afeganistão e o uso de dinheiro público americano que é gasto no Iraque.
Ontem, em Londres, o premiê britânico Gordon Brown disse que a Grã-Bretanha começará uma maior retirada de tropas do Iraque no começo de 2009, se a segurança continuar a ser melhorada no país e o treinamento das forças locais estiver completo. Atualmente, a Grã-Bretanha tem 4,1 mil soldados no Iraque, a maioria estacionada nas redondezas de Basra.
Obama chegou ontem à Jordânia após parar no Afeganistão, Kuwait e Iraque. Sua coletiva de ontem com os senadores aconteceu na Cidadela de Amã, um ponto turístico na capital da Jordânia que tem ruínas que indicam a ocupação do local em 2 mil a.C. O panorama ensolarado da moderna Amã, com seus blocos de concreto de apartamentos e minaretes de mesquitas, formou um belo pano de fundo para as emissoras de televisão.
Obama deixou o Iraque com um ganho potencial: o Iraque apoiou seu plano de retirar as tropas americanas do país até 2010. Os líderes iraquianos não apoiaram oficialmente a proposta de Obama, mas deram várias declarações nesse sentido após o encontro com o candidato democrata.
Os EUA têm atualmente 147 mil militares no Iraque.
"Nós esperamos que em 2010 as tropas de combate sejam retiradas do Iraque," disse o porta-voz do governo Iraque, Ali al-Dabbagh, na segunda-feira, após o encontro entre Obama e o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki.