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   Colunas . Opinião por Francisco Sampa

23.07.2008 imprimir Imprimir
 

XENOFOBOS E MAL AGRADECIDOS

Dedico este artigo aos senhores europeus, de peles brancas e olhos azuis, classificados sabe Deus porque de povo de sangue azul, apesar de ser tão vermelho quanto o nosso. Independentemente da cor eu estou é roxo de raiva com as duras medidas adotadas pela União Européia em relação à imigração. Uma reação no mínimo curiosa, visto que décadas atrás eles é que eram os estrangeiros em busca uma vida melhor na Terra Brasilis.

Nos estertores do século 19 e meados do século 20, a situação na Europa era algo digno de pena. Muitos países do velho continente viviam em situação de lamúria, fome, doenças  (vide a febre espanhola que dizimou milhares de pessoas no mundo, inclusive no Brasil), falta de emprego e de perspectivas de uma vida promissora para as futuras gerações. Levados pelas boas novas desde os tempos do descobrimento, esta gente fugiu das desgraças do velho continente imigrou para o continente americano.

E assim já se passaram quase 200 anos desde a imigração mássica dos europeus para fazer a América. Todos em busca de uma vida digna no novo mundo, um mundo tropical num país chamado Brasil, segundo a santa ignorância de muita gente mesmo nos dias de hoje,  terras de cobras, jacarés, índios e macacos. 

Pois bem, este povo que um dia fugiu do culto e civilizado velho mundo, segundo nos ensinaram nos toscos bancos escolares da nossa pátria amada mãe gentil, adora nos rechaçar como se fôssemos uma peste ambulante, o vírus da Aids de passaporte verde, com ginga de sambista e jogador de futebol.

Quando este povo teve de abandonar sua terra com o rabo entre as pernas feito cão sarnento, com seus medos, traumas e muitos portando todo tipo de doenças, nós os acolhemos no seio da terra brasilis. Foram os italianos, alemães, austríacos, poloneses, albaneses, russos e muitos os outros “eses” que ocuparam os rincões do sul brasileiro.

Este povo xenófobo esquece de todo um passado, onde nós, pobres e desnutridos brasileiros  - segundo eles e um lado triste da nossa realidade - recebemos esta gente em nosso país dando-lhes casa, comida, abrigo, carinho, muito calor humano, tudo o que um ser humano necessita para sobreviver e viver com dignidade. Pois bem, esta gente de memória curta e mal agradecida hoje simplesmente nos bate com a porta na cara, com medidas contra a imigração estrangeira, principalmente a brasileira.

Quando eles estavam no fundo do poço, com a água batendo na bunda, doentes e com fome, fomos nós os “atrasados”, os "subdesenvolvidos”, que lhes demos guarida. Agora temos o pagamento, feito porco ruim, eles chutam o cocho onde foi saciada a fome e a sede dos antepassados. É, em menos de 120 anos eles esqueceram tudo, cegos pela necessidade de sobreviver e pelo espírito xenófobo que sempre tiveram dentro de si. A Europa nunca teve paz, não sabe o que é harmonia, sempre viveram um tentando tomar o pão do outro.

Dizimaram florestas em todo o mundo, dominaram e destruíram civilizações, os maias, os astecas, destruíram parte da África e teve um destes europeus que promoveu um dos maiores desastres do século passado: o holocausto. Afinal Hitler era europeu, ou será que ele era um brasileiro?

Com este novo pacto de imigração e asilo proposto pela França e aprovado informalmente neste mês pela União Européia (EU), a votação oficial acontece em Outubro. No ano passado 9.410 brasileiros foram barrados nos aeroportos da Europa. É hora de tomarmos vergonha na cara e unidos lutarmos de todas as formas contra o vento frio da xenofobia, pois esta gente que hoje nos rechaça um dia já bateu em nossas portas pedindo guarida. Eles esqueceram o passado histórico. Depois da segunda guerra mundial, invadiram o Brasil, em busca de vida, como dizem os americanos, tentando salvar o próprio rabo que estava pegando fogo...

E agora, em nome de uma falsa resposta para os desafios da economia e da sociedade,  revelam sua verdadeira identidade, ocultada antes sob a máscara da civilidade do chamado primeiro mundo: a de xenófobos e mal agradecidos.


 
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