[04.04.2007] A morte do Senhor Jesus na cruz não pode ser entendida como um fato que aconteceu no passado remoto da história da humanidade. Ela é, e sempre será atual, e deve se renovar na nossa vida a cada dia.
Entrando no Santos dos Santos. Para melhor entender o que diz o autor de Hebreus acima devemos considerar o que diz o Antigo Testamento. Nos tempos antigos o tabernáculo era dividido em duas partes. A primeira parte era chamada de Lugar Santo, a segunda parte era chamada de Santo dos Santos. As duas partes eram separadas por um véu. Os que queriam passar do Lugar Santo para o Santos dos Santos teriam que passar pelo véu. A glória de Deus era manifestada dentro do Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote poderia entrar no Santo dos Santos e isto só acontecia uma vez por ano. Antes de entrar no Santo dos Santos ele deveria, primeiramente, oferecer sacrifícios e fazer a propiciação por si mesmo e pelo povo, e a seguir entrar com o sangue de touros.
Para nós cristãos não é mais necessário haver o sangue de touros e de bodes. Nós agora podemos entrar no Santo dos Santos mediante o sangue do Senhor Jesus. É isto o que representa a cruz para os cristãos. Jesus é o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (João 1.29) Agora podemos nos achegar a Deus a qualquer momento e diante dEle confessar os nossos pecados, ter comunhão com Ele e estar continuamente em sua presença.
O significado do véu. Note bem o que diz Antigo Testamento: os que entravam no Santo dos Santos tinham que passar pelo véu. O véu representa o corpo do Senhor Jesus. Quando Jesus foi crucificado, o véu do templo foi rasgado ao meio de alto a baixo. (Mateus 27. 51) Se o véu não tivesse sido rasgado, os homens não poderiam ter passado por ele. Em outras palavras, se o Senhor Jesus não tivesse morrido e não tivesse Seu corpo partido, os homens não poderiam passar através dEle e conseqüentemente não poderiam ter acesso a Deus. O que a cruz faz hoje é abrir o caminho que nos leva à presença de Deus. Por intermédio da morte de cruz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, nós podemos ir até Deus.
Quem afirma esta verdade? A Bíblia a Palavra de Deus é a autoridade que nos afirma esta verdade eterna. Ela nos afirma que esse caminho através do véu tornou-se acessível a nós por causa do Senhor Jesus.
Um caminho vivo. É muito importante notar aqui o fato de que esse caminho é “novo e vivo”. No contexto bíblico é algo que foi recém-oferecido ou recém sacrificado. O sacrifício da cruz está sempre novo diante de Deus, ele nunca fica velho, como era o caso dos sacrifícios de touros e bodes que os sacerdotes da Antiga Aliança faziam. O sacrifício do ano anterior não valia para o ano seguinte. O sacerdote deveria fazer sempre ofertas frescas e sacrifícios frescos. Isto está nos revelando que não precisamos oferecer sacrifícios novamente para nos apresentarmos diante de Deus. O nosso Sacrifício é o Senhor Jesus. O seu frescor de ontem é o mesmo hoje e eternamente, assim como o foi no momento em que foi entregue à cruz do calvário. Toda vez que nos achegamos a Deus, podemos perceber o frescor da cruz do Senhor. Toda vez que tinha que comparecer na presença do Senhor o sacerdote no Antigo Testamento teria que oferecer um sacrifício novo, caso contrário ele morreria ao adentrar o Santo dos Santos. Graças a Deus que o sacrifício do Senhor Jesus na cruz do calvário é um sacrifício que nunca perde o seu frescor. O Senhor Deus considera a crucificação de Seu filho como algo recém-cumprido.
Quando o autor de Hebreus fala de um caminho “vivo”, no entanto, é mais do que isto, devemos entender como eternamente vivo. Cristo morreu e ressuscitou; Ele cumpriu a salvação por nós e nos conduziu a Deus. Assim que como sabemos que Cristo ressuscitou e que a Sua ressurreição permanece até hoje, também devemos saber que Cristo morreu, sua morte no nosso lugar continua valendo até o dia de hoje, e valerá por toda a eternidade a fora. Por isso a morte de cruz e a ressurreição foram os maiores acontecimentos na vida de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não podemos ver estes dois acontecimentos como coisas do passado. Eles continuam valendo hoje como se tivessem acontecido hoje. Considerando isto, deveríamos então recebê-los pela fé e vir através deles diante de Deus a fim de receber o perdão dos pecadores e a bênção de Deus.
O cordeiro de Deus. No Antigo Testamento Cristo é chamado de Cordeiro duas vezes (Isaías 53. 7 e Jeremias 11. 19). Nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos Jesus é mencionado como o Cordeiro três vezes (João 1. 29; 36 e Atos 8. 32) Nas epístolas aparece somente uma vez (I Pedro 1. 19) Entretanto, no livro de Apocalipse o Senhor Jesus é citado como o Cordeiro de Deus por vinte e oito vezes! Isto significa que glória da cruz do Senhor Jesus será aclamada pelos séculos dos séculos sem fim. Mas note como o Cordeiro é visto neste livro como tendo sido recentemente morto. A ferida ainda está ali viva, aberta. As chagas não são apresentadas como uma velha cicatriz! Isto está dizendo que a eterna ferida garante a eterna salvação. A crucificação do Cordeiro deve ser lembrada por toda a eternidade. Deus jamais pode se esquecer disso. Os anjos nunca podem se esquecer disto e os salvos por toda a eternidade jamais se esquecerão da salvação efetuada pelo Senhor Jesus na cruz do calvário.
Aplicação prática: Somente através da cruz do Senhor Jesus podemos ter acesso ao Pai. Ao crermos no sacrifício da cruz, o único caminho que nos leva ao Pai, recebemos a salvação eterna. Devemos sempre recordar que ela permanece sendo o vivo sacrifício, que jamais será esquecido e que manterá o seu frescor por toda a eternidade. Diante de tudo o que foi dito acima sigamos a recomendação do apóstolo Pedro: “...andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós, que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.” ( I Pedro 1. 17-21)
Oração: Senhor obrigado por teres mandado o Teu filho à cruz do calvário em meu lugar. Eu te agradeço porque através deste novo e vivo caminho eu posso ter acesso a ti e te pedir que perdoes os meus pecados. Eu Te louvo porque a partir do sacrifício do Teu filho eu posso ter uma verdadeira comunhão contigo. Eu te louvo e te adoro Senhor por tão grande salvação. Em nome de Jesus que eu oro. Amém!•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. |